Sabe aquele sentimento de que a história foi injusta com um jogo? Pois é. No começo dos anos 2000, a marca Terminator nos cinemas estava em uma situação complicada com o terceiro filme, mas nos consoles, a história era outra. Enquanto todo mundo olhava para os FPS genéricos da época, a Atari e a Paradigm lançaram Terminator 3: Redemption, um título que, honestamente, é a coisa mais próxima que já chegamos de sentir o peso real de um T-850 em combate.
Se você está na dúvida se ele ainda vale o seu tempo, a resposta curta é: sim, especialmente se você gosta de ação visceral que não segura a sua mão.
Diferente do seu antecessor (o morno Rise of the Machines), Terminator 3: Redemption não tenta ser um shooter de primeira pessoa desajeitado. Ele assume uma perspectiva em terceira pessoa e foca no que o Exterminador faz de melhor: destruir tudo o que vê pela frente. A jogabilidade é um mix frenético de pancadaria, tiroteio e perseguições veiculares que fazem o hardware daquela geração (PS2, Xbox e GameCube) suar a camisa.
O que me pega nesse jogo é o “feedback” dos golpes. Quando você acerta um combo em um protótipo de T-900 ou arranca um poste de luz para usar como porrete, você sente o impacto. Não é aquele combate flutuante de muitos jogos de licença de filme. Aqui, o Arnold (ou o modelo digital dele) tem massa, tem gravidade.
O caos de 2029 e o brilho técnico
Uma coisa que pouca gente comenta é como a ambientação do futuro devastado foi bem feita. As fases que se passam na guerra contra as máquinas têm uma paleta de cores fria, cheia de lasers vermelhos cruzando a tela e destroços voando. É um caos visual que, surpreendentemente, o motor gráfico segura bem.
As transições entre o combate a pé e os veículos são quase orgânicas. Em um momento você está trocando tiros de plasma, e no segundo seguinte está saltando para cima de um caminhão em movimento para derrubar um Hunter-Killer. É um ritmo de filme de ação dos anos 80 injetado diretamente no controle.
Claro, nem tudo são flores. O jogo é difícil. Mas não é uma dificuldade “souls-like” de aprendizado; é aquela dificuldade de arcade, onde um erro no timing do seu pulo ou um tiro de canhão mal desviado pode te mandar de volta pro checkpoint. Isso pode afastar quem busca uma experiência moderna e relaxada, mas para quem cresceu nos fliperamas, é um prato cheio.
Por que ele foi esquecido?
Talvez o timing tenha sido o vilão. Terminator 3: Redemption saiu em 2004, no mesmo ano de gigantes como Halo 2 e Half-Life 2. O mundo estava mudando a forma de ver jogos de ação, e um título baseado em trilhos e combate focado em arcade acabou sendo atropelado pela inovação dos shooters de mundo aberto ou narrativos.
Mas revisitando hoje, ele envelheceu muito melhor do que outros “clones” daquela época. A fidelidade visual ao material original e a dublagem (sim, o próprio Schwarzenegger emprestou a voz e a aparência) dão um ar de autenticidade que falta em jogos licenciados atuais.
No fim das contas, Terminator 3: Redemption é uma joia bruta. Se você tem um console antigo pegando poeira ou um emulador configurado, dê uma chance a ele. É um jogo que entende que ser um Exterminador não é sobre estratégia refinada, mas sobre ser uma força imparável da natureza — ou melhor, da tecnologia.
Ficha Técnica:
Desenvolvedora: Paradigm Entertainment
Plataformas: PlayStation 2, Xbox, GameCube
Lançamento: 2004

