The Rocketeer: A História do Herói nos Games Retrô
Quando a Disney lançou o filme The Rocketeer em 1991, a indústria dos videogames vivia um momento de transição fascinante. O Nintendo Entertainment System (NES), de 8 bits, ainda tinha uma base gigantesca de jogadores, enquanto o Super Nintendo (SNES), de 16 bits, começava a ditar os novos rumos visuais do mercado. Pegando carona no longa-metragem, o herói Cliff Secord ganhou adaptações bem distintas para os dois consoles, além de aparecer em outras plataformas da época.
O Voo Limitado no NES (1991)
Desenvolvido pela Realtime Associates e publicado pela Bandai, The Rocketeer para o NES chegou às lojas em maio de 1991. O jogo apostou no formato clássico de plataforma em progressão lateral (side-scroller).

Na pele de Cliff, o jogador avançava por seis fases enfrentando gângsteres, soldados e até morcegos mutantes usando socos e armas de fogo. O grande atrativo era, sem dúvida, a mochila a jato. Ativá-la permitia voar livremente pela tela, mas o combustível era escasso e exigia gerenciamento constante. Apesar das belas cenas estáticas que contavam a história do filme entre as fases, o jogo ficou marcado por um nível de dificuldade frustrante, saltos milimetricamente punitivos e labirintos confusos que minaram o divertimento de muitos jogadores na época.
A Turbulência no Super Nintendo (1992)
No ano seguinte, a Disney apostou no potencial gráfico do SNES com uma versão desenvolvida pela NovaLogic e distribuída pela IGS. Em vez de seguir a fórmula de plataforma tradicional do NES, o jogo do Super Nintendo tentou ser uma experiência multifacetada, misturando gêneros.

O título abre com corridas de avião em uma perspectiva de câmera lateral. Essa escolha foi amplamente criticada devido aos controles invertidos e à extrema dificuldade de pilotagem. Quem conseguia superar os circuitos encontrava sequências de tiro com visão superior em hangares, fases de voo livre estilo shoot ‘em up e combates corpo a corpo em cima de um dirigível. Apesar da ambição em variar o gameplay, os comandos travados, os cenários genéricos e a trilha sonora repetitiva fizeram com que a crítica da época o considerasse um dos piores jogos baseados em filmes do console.
Além dos Consoles de Mesa: DOS e Portáteis
Para quem não tinha um console de videogame em casa na época, a Disney licenciou o herói para outros hardwares:

- PC (DOS): A versão de computador foi desenvolvida pela mesma NovaLogic que fez o jogo do SNES. Ela trazia uma experiência muito similar à dos 16 bits, focando em minigames de voo e tiroteio, mas contava com o diferencial técnico do suporte ao acessório Disney Sound Source, um sintetizador que melhorava drasticamente a reprodução de efeitos sonoros digitais nos PCs da época.
- Mini-Game Portátil (Dedicated Handheld): Também em 1991, o herói estrelou um daqueles portáteis baratos de tela LCD com cenários pré-renderizados fixos, muito comuns na virada da década antes da popularização definitiva do Game Boy.

O Legado
Assim como o filme acabou se tornando um clássico cult anos mais tarde, os jogos de The Rocketeer hoje são vistos como cápsulas do tempo da era de ouro das adaptações cinematográficas. Embora nenhum deles tenha atingido o status de obra-prima, eles servem como um ótimo registro histórico de como as desenvolvedoras experimentavam diferentes fórmulas para traduzir a magia do cinema nos pixels daquela época.












