O segredo filosófico de NieR: Automata
Se você entrou em NieR: Automata esperando apenas um hack and slash frenético da PlatinumGames com uma protagonista estilosa, você caiu na maior armadilha narrativa da década. Eu confesso: nas primeiras horas, eu estava lá pelo combate fluido e pela trilha sonora absurda. Mas NieR não quer apenas que você aperte botões; ele quer que você questione por que diabos está apertando eles.
A grande sacada do diretor Yoko Taro é usar robôs e androides para discutir o que nos torna humanos. E ele faz isso de um jeito que nenhum livro de Sartre ou Nietzsche conseguiria: fazendo você viver o dilema.
A repetição que mói a alma (e o controle)
A estrutura de “finais” do jogo — que na verdade são capítulos — é a maior prova de que a filosofia aqui é mecânica. Quando você termina a primeira vez com a 2B, acha que entendeu o jogo. Doce ilusão. Ao jogar novamente sob a perspectiva do 9S, o jogo te dá uma rasteira.
Você começa a ver a humanidade (ou a falta dela) nas máquinas que acabou de destruir. Aquela “sucata” que você explodiu sem dó agora tem nome, sentimentos e medo. É aí que o Niilismo bate forte: se tudo é um ciclo de morte e renascimento sem propósito, qual o sentido de continuar lutando? NieR te obriga a encontrar esse sentido no caos.
O sacrifício final: Você daria seu save por um estranho?
O que define NieR: Automata como uma obra-prima filosófica em 2026 ainda é o seu desfecho (o famoso Final E). Não vou dar spoilers pesados, mas o jogo transforma o ato de “zerar” em um ato de empatia coletiva.
A pergunta que o jogo te faz no final é a mais pura filosofia aplicada: você abriria mão de todo o seu progresso, de todas as suas armas e horas de jogo, para ajudar um jogador que você nunca viu na vida a terminar o dele? É o ápice do humanismo em forma de código de programação.
Minha visão de jogador: NieR: Automata é desconfortável. Ele te faz sentir culpado, triste e, às vezes, vazio. Mas é nesse vazio que ele entrega a resposta: a humanidade não é sobre carne e osso, mas sobre a capacidade de escolher um propósito, mesmo quando o mundo diz que não existe nenhum.
Ficha Técnica
Gênero: RPG de Ação / Ficção Científica
Jogo Principal: NieR: Automata (Game of the YoRHa Edition)
Plataformas: PS4, Xbox One, Nintendo Switch, PC
