A série “Stranger Things” da Netflix não é apenas um fenômeno televisivo; ela é um portal para a nostalgia dos anos 80, repleta de referências à cultura pop que moldou uma geração. E, no coração dessa década, os videogames ocupavam um lugar especial, servindo como pano de fundo e até mesmo como elemento narrativo na aclamada produção dos irmãos Duffer.
O Arcade Como Ponto de Encontro e Refúgio
Desde a primeira temporada, o Palace Arcade é um local icônico para Mike, Dustin, Lucas e Will. Não é apenas um fliperama comum; é um centro de convivência, um refúgio da realidade para esses jovens. Em uma era pré-internet e smartphones, o arcade era o epicentro da vida social adolescente, um lugar onde amizades eram forjadas, rivalidades se acendiam e os mistérios do mundo pareciam um pouco menos assustadores.
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Socialização e Competição: O fliperama era o principal ponto de encontro para amigos se divertirem, competirem por recordes e planejarem suas aventuras. A camaradagem e as discussões sobre estratégias de jogos eram parte essencial da experiência.
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Habilidades de Jogo em Destaque: Vemos os personagens exibirem suas proezas em clássicos como Dig Dug, Dragon’s Lair e Pac-Man. Dustin, em particular, tem um histórico de ser um exímio jogador, muitas vezes usando suas habilidades para ganhar apostas ou simplesmente exibir seu talento.
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Fuga da Realidade: Em um mundo onde o Upside Down, experimentos científicos aterrorizantes e monstros como o Demogorgon ameaçam suas vidas, os videogames oferecem um escape. Eles são um lugar onde os problemas são virtuais, as regras são claras e as vitórias, mesmo que pixelizadas, são concretas e gratificantes.
Dungeons & Dragons: A Base da Narrativa
Muito antes de enfrentarem o Demogorgon, os garotos de Hawkins já batalhavam contra criaturas aterrorizantes no mundo de Dungeons & Dragons. O RPG de mesa não é apenas um hobby na série; ele é a própria linguagem que eles usam para entender e enfrentar os perigos do Upside Down.
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Metáforas e Nomenclatura: Os monstros e fenômenos do Upside Down são nomeados a partir das criaturas e conceitos de D&D. O Demogorgon, o Devorador de Mentes (Mind Flayer) e até mesmo a “porta” entre as dimensões são explicados através da lógica do jogo.
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Pensamento Estratégico: As táticas aprendidas nas mesas de D&D são frequentemente aplicadas pelos personagens para resolver problemas da vida real, seja para enganar adultos ou para lutar contra ameaças sobrenaturais. Eles pensam como um grupo de aventureiros em uma campanha, cada um com suas habilidades e papéis definidos.
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União do Grupo: D&D é o que une o grupo central. É a atividade que fortalece seus laços, os ensina a trabalhar em equipe e a confiar uns nos outros, qualidades essenciais para sobreviver aos eventos extraordinários que os cercam.
Por Que Essa Conexão é Tão Poderosa
A relação entre Stranger Things e o universo dos games (sejam eles de tabuleiro como D&D ou de arcade) vai muito além de meras referências nostálgicas.
A série utiliza esses elementos não só para evocar a década de 80, mas para construir a própria identidade e resiliência de seus protagonistas. Os jogos fornecem as regras, a terminologia e, o mais importante, a estrutura mental que o grupo de Hawkins precisa para transformar o medo do desconhecido em uma missão com objetivos claros.
Ao homenagear a era de ouro dos videogames e do RPG, Stranger Things prova que a diversão e a imaginação cultivadas no Palace Arcade e na mesa de D&D não eram apenas passatempos — elas eram o treinamento essencial que salvou o mundo de uma escuridão que a ciência moderna não conseguia sequer nomear.
E você, qual jogo de Arcade de Stranger Things você desafiaria o Dustin?