No momento, você está visualizando Robopon Livre: Clone de Pokémon do GBC é Hackeado Após 26 Anos

Robopon Livre: Clone de Pokémon do GBC é Hackeado Após 26 Anos

  • Última modificação do post:16/05/2026
  • Tempo de leitura:3 minutos de leitura
  • Autor do post:

Se você viveu a febre dos monstrinhos de bolso na virada do milênio, com certeza se lembra da enxurrada de clones que tentaram surfar na onda da Nintendo. Mas nenhum deles foi tão audacioso, bizarro e tecnologicamente pretensioso quanto Robopon (Robot Ponkottsu), lançado pela Atlus e desenvolvido pela Hudson Soft no ano de 2000.

Por 26 anos, o jogo original e sua contraparte perdida, a Star Version, estiveram trancados em uma “prisão de hardware”. Mas a cena retro acaba de quebrar essa barreira de forma histórica. [1]

O Monstro de Plástico: Por que Robopon era impossível de emular?

Dizer que o cartucho de Robopon era grande é um eufemismo. Ele era um trambolho que se projetava para fora do Game Boy Color, equipado com o sistema GB Kiss. Essa carcaça estendida abrigava:

  • Um sensor de infravermelho (IR) para trocar dados e abrir baús usando controles remotos de TV.
  • Um alto-falante próprio embutido para emitir bipes e alarmes.
  • Uma bateria interna com Relógio de Tempo Real (RTC).
  • Um chip mapeador customizado e exclusivo chamado HuC-3.

Esse chip HuC-3 era o pesadelo dos donos de flashcards. Como nenhum dispositivo moderno (incluindo as linhas EverDrive da Krikzz) possuía esse circuito integrado, colocar a ROM de Robopon em um cartão SD resultava em travamentos instantâneos, bugs gráficos na garagem de robôs ou erros fatais na hora de salvar o progresso. O jogo só funcionava se você tivesse o gigantesco cartucho original.

A Star Version: O “Santo Graal” Perdido no Ocidente

O problema era ainda pior para os completistas. No Japão, o jogo foi lançado em três versões: Sun, Star e Moon. Quando a Atlus trouxe o título para o Ocidente, apenas a Sun Version foi localizada, deixando vários robôs exclusivos da Star Version totalmente inacessíveis para quem não falava japonês.

Anos mais tarde, protótipos da tradução americana de Robopon: Star Version vazaram na internet, mas ninguém conseguia jogá-los no hardware original devido às mesmas travas do mapeador HuC-3.

A Quebra da Barreira: O Patch de Mapeamento

A comunidade de preservação histórica de games não desiste fácil. O desenvolvedor TofuDemon acaba de lançar uma modificação revolucionária na plataforma Romhacking.net.

Através de engenharia reversa pesada, ele reescreveu as linhas de código do jogo que faziam chamadas ao chip HuC-3, convertendo-as para o formato MBC-3 — o mapeador padrão da Nintendo usado em jogos como Pokémon Gold & Silver. Contando com o apoio técnico de Luke, da famosa loja de modificações RetroSix, o projeto foi um sucesso absoluto.

Com o patch aplicado, os jogadores podem colocar as ROMs de Robopon: Sun Version e Robopon: Star Version em um EverDrive X7 ou em cartuchos flash customizados da insideGadgets e jogar do início ao fim com salvamento perfeito no hardware real.

Vale a pena jogar Robopon hoje?

Robopon pode parecer uma cópia descarada de Pokémon à primeira vista, mas ele esbanjava personalidade. Em vez de monstros biológicos, você coleciona, monta e customiza robôs (Cyber-Elves) trocando processadores (CPUs), braços, armas e instalando softwares para aprender novas magias e golpes elementais.

Se você tem um Game Boy Color modificado com tela IPS ou joga em consoles portáteis modernos baseados em FPGA (como o Analogue Pocket), esse hack de mapeamento é a desculpa perfeita para finalmente conhecer uma das pérolas mais injustiçadas, bizarras e divertidas da era dos 8-bits.