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Love Is All Around: romance ou ilusão interativa?

  • Última modificação do post:14/04/2026
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A promessa de profundidade

À primeira vista, Love Is All Around parece só mais um jogo de romance com escolhas — daqueles que prometem emoção, mas entregam decisões rasas e consequências previsíveis. Mas basta jogar por alguns minutos pra perceber: ele tenta ser mais do que isso.

Diferente de muitos jogos do gênero, não se trata apenas de “escolher a pessoa certa”. O jogo constrói situações desconfortáveis, decisões ambíguas e momentos onde não existe resposta ideal. Existe uma tentativa clara de provocar o jogador, de fazer você pensar antes de agir — e isso funciona. Só que junto com essa proposta vem uma sensação incômoda: em vários momentos, ele parece mais preocupado em parecer profundo do que realmente ser.

O jogo vende a ideia de que cada escolha muda tudo. E, tecnicamente, isso é verdade — existem caminhos diferentes, variações e finais múltiplos. Mas nem sempre isso se traduz em impacto real. Em muitos trechos, a sensação é de estar navegando por versões alternativas da mesma situação. Uma ilusão de controle bem construída, mas ainda assim uma ilusão. E aí surge a dúvida: você está moldando a história… ou apenas seguindo um roteiro com pequenas variações?


Entre imersão e limite do gênero

O uso de FMV (atores reais) ajuda na imersão. Expressões, silêncios e olhares carregam um peso difícil de replicar em animação. Quando funciona, aproxima. Quando não, estranha. Algumas cenas soam artificiais o suficiente pra quebrar o envolvimento — e isso depende muito da sua tolerância com esse estilo.

Mesmo assim, há mérito. Quando acerta o tom, o jogo entrega momentos genuinamente desconfortáveis — daqueles que fazem você hesitar antes de escolher. E isso é raro. A sensação de estar interferindo em relações humanas, mesmo que parcialmente guiada, funciona melhor do que em muitos jogos maiores.

O problema é que a promessa parece maior que a entrega. O jogo se posiciona como algo profundo, quase transformador, e isso cria uma expectativa que ele nem sempre sustenta. No fim, Love Is All Around não é uma fraude — mas também não é tudo aquilo que parece. Ele acerta em pontos específicos, constrói boas tensões, mas ainda carrega limitações claras do gênero.

Vale pela experiência. Não pela revolução.

Edu Cardoso (ECS)

Editor do QG Reloaded e entusiasta de tecnologia. No controle desde o Atari, passou por Phantom System, SNES e todas as gerações da Sony e Microsoft. Aqui a análise é de quem viu a evolução do pixel ao Ray Tracing, com a transparência que todo jogador merece.

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