A promessa de profundidade
À primeira vista, Love Is All Around parece só mais um jogo de romance com escolhas — daqueles que prometem emoção, mas entregam decisões rasas e consequências previsíveis. Mas basta jogar por alguns minutos pra perceber: ele tenta ser mais do que isso.
Diferente de muitos jogos do gênero, não se trata apenas de “escolher a pessoa certa”. O jogo constrói situações desconfortáveis, decisões ambíguas e momentos onde não existe resposta ideal. Existe uma tentativa clara de provocar o jogador, de fazer você pensar antes de agir — e isso funciona. Só que junto com essa proposta vem uma sensação incômoda: em vários momentos, ele parece mais preocupado em parecer profundo do que realmente ser.

O jogo vende a ideia de que cada escolha muda tudo. E, tecnicamente, isso é verdade — existem caminhos diferentes, variações e finais múltiplos. Mas nem sempre isso se traduz em impacto real. Em muitos trechos, a sensação é de estar navegando por versões alternativas da mesma situação. Uma ilusão de controle bem construída, mas ainda assim uma ilusão. E aí surge a dúvida: você está moldando a história… ou apenas seguindo um roteiro com pequenas variações?
Entre imersão e limite do gênero
O uso de FMV (atores reais) ajuda na imersão. Expressões, silêncios e olhares carregam um peso difícil de replicar em animação. Quando funciona, aproxima. Quando não, estranha. Algumas cenas soam artificiais o suficiente pra quebrar o envolvimento — e isso depende muito da sua tolerância com esse estilo.

Mesmo assim, há mérito. Quando acerta o tom, o jogo entrega momentos genuinamente desconfortáveis — daqueles que fazem você hesitar antes de escolher. E isso é raro. A sensação de estar interferindo em relações humanas, mesmo que parcialmente guiada, funciona melhor do que em muitos jogos maiores.
O problema é que a promessa parece maior que a entrega. O jogo se posiciona como algo profundo, quase transformador, e isso cria uma expectativa que ele nem sempre sustenta. No fim, Love Is All Around não é uma fraude — mas também não é tudo aquilo que parece. Ele acerta em pontos específicos, constrói boas tensões, mas ainda carrega limitações claras do gênero.
Vale pela experiência. Não pela revolução.

